Projeto Home Care promove curso sobre controle da dor

Na noite desta quinta-feira, 23 de julho, a Projeto Home Care realizou seu primeiro curso on-line, para mais de 70 participantes, com o tema “Escada Analgésica no Controle da Dor em Home Care”. A iniciativa integra o rol de ações educativas da área de Qualidade da Projeto, agora em formato on-line, para preservar o distanciamento social e a segurança dos participantes. No público, estavam profissionais de saúde que atuam em assistência domiciliar, interessados em angariar conhecimento sobre o tema. O curso foi gratuito e aberto à participação de interessados, com emissão de certificado.

Abrindo os trabalhos, a Diretora Assistencial da Projeto Home Care, Daniela Fonseca, agradeceu a presença de todos e comemorou o sucesso do evento on-line. “Estamos muito felizes de termos vocês todos aqui reunidos”, disse. A Diretora Médica, Márcia Brandão Dias, também agradeceu e lembrou que a dor é uma parte muito importante da assistência em saúde. “Como todos devem saber, a Projeto Home Care está em processo de acreditação. E a dor, dentro desse processo, tem um capítulo inteiro dedicado a ela no Manual de Acreditação. Isso mostra a importância do tema”, ressaltou.

A Coordenadora Médica da Projeto Home Care, Karol Thé, geriatra e especialista em dor e cuidados paliativos, ministrou a palestra. Iniciou a apresentação lembrando que o Brasil será, já em 2025, o sexto país do mundo com a maior população de idosos. “O envelhecimento vem acontecendo de forma exponencial, e nos traz o desafio de lidar com essa população, que é heterogênea”, afirmou.

Embora a dor não deva ser encarada como um fenômeno normal, muitos trabalhos na área mostram que 25% dos idosos morrem sem ter o controle adequado da dor, que pode ser de múltiplas causas. Ainda: quase 50% dos idosos em cuidados extra-hospitalares apresentam dor com frequência diária. As mais comuns podem ser causadas por osteoartrites, fraturas, úlcera de pressão, retenção urinária, constipação, deficiência de vitamina D, entre outros fatores. Por isso, a dor é considerada o quinto sinal vital a ser checado pelo profissional de saúde, junto com pulso, pressão arterial, temperatura e frequência respiratória.

Mas, como medir a dor?

Existem várias formas, segundo a médica Karol Thé. E pode variar de paciente para paciente, dependendo de sua condição. Pode ser usada desde a escala de dor visual analógica, formada por faces e cores, até a escala PACSLAC (Pain Assessment Checklist for Seniors with Limited Ability to Communicate). Essa última, utilizada como padrão ouro na Projeto Home Care, leva em conta diversos fatores, desde expressão facial até movimentos de corpo, alterações de humor. “Ela não nos dá um score, mas é um checklist”, ensinou Karol.

Uma vez avaliado o paciente, o tratamento da dor também precisa ser planejado, e o monitoramento precisa ser contínuo. “Idosos com dor têm maior prevalência de sofrerem quedas e apresentarem prejuízo funcional. Por isso, reduzir a incapacidade relacionada à dor é mais importante do que eliminar completamente a dor”, lembrou a geriatra. Deve-se ainda evitar anti-inflamatórios, já que são medicamentos com efeitos adversos prejudiciais. “Um quarto dos idosos entram na emergência por efeitos adversos pelo uso de anti-inflamatórios”, alertou.

Educar o paciente e a família em relação aos medicamentos, utilizar analgésicos com dose baixa, usar um medicamento por vez quando possível e lançar mão de estratégias não medicamentosas como acupuntura, fisioterapia e terapias cognitivo-comportamentais também são medidas importantes.

Para finalizar, Karol Thé lembrou a todos que a IASP – International Association for the Study of Pain elegeu 2020 como o ano global da Prevenção da Dor. E que já em 2010, na Declaração de Montreal, instituiu-se que o acesso ao tratamento da dor é um direito fundamental. “Viver com dor não é normal, mesmo com o processo de envelhecimento”, finalizou.

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